Indicações geográficas para vinhos no Brasil e na França: os novos compromissos valorativos frente ao mercado global

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Universidad de los Andes

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A nova geografia do mundo dos vinhos impulsiona movimentos de crítica que interrogam posições e hierarquias historicamente consolidadas. No centro desses movimentos encontra-se um processo desigual de apropriação dos dispositivos de Indicação Geográfica (IG) nos novos países produtores, mas também a reformulação dos mesmos no «velho mundo vitivinícola». O artigo analisa os compromissos valorativos que sustentam as novas posições dos territórios vitivinícolas no mercado global. Provenientes de pesquisa conduzida entre 2009 e 2011 no Brasil (Serra Gaúcha) e na França (Languedoc e Beaujolais), envolvendo observação direta e entrevistas com produtores, comerciantes e gestores públicos, os resultados revelam como, apesar de histórias agrárias distintas, esses territórios convivem com um desafio similar de reconstrução dos dispositivos de valorização pela origem. Em ambos os contextos é notório o potencial das IGs na valorização dos ativos territoriais que distinguem o produto. Não obstante, é igualmente manifesto um processo de apropriação setorial desse dispositivo de qualificação por meio do qual ele passa a catalisar inovações exógenas consideradas indispensáveis para os produtores enfrentarem o novo contexto do mercado internacional, colocando em risco a tipicidade do produto ligada ao seu terroir.

Palabras clave

Agrociencias

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