Seleção de genótipos de Manihot tolerantes ao déficit hídrico.

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A restrição hídrica pode reduzir tanto a oferta, quanto a qualidade das plantas forrageiras, com impactos diretos sobre o desempenho animal. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo selecionar genótipos de Manihot com maior tolerância ao déficit hídrico, visando ampliar a oferta de forragens e contribuir para a sustentabilidade dos sistemas de produção animal diante dos cenários atuais e de mudança climática. O experimento foi conduzido em casa de vegetação, em delineamento inteiramente casualizado, com arranjo fatorial 4 x 5 (quatro níveis de disponibilidade hídrica: 25, 50, 75 e 100% e cinco genótipos de Manihot: A:24, A:79, A:102, A:EL e A:GO), com quatro repetições, totalizando 80 plantas. Após 203 dias, foram avaliados parâmetros biométricos e produtivos. Os dados foram analisados por Análise de Componentes Principais (PCA) e Análise de Variância (ANOVA). A PCA mostrou que a massa fresca e seca das folhas foram variáveis-chave para distinguir o desempenho dos genótipos, explicando 81.3% da variação total nos dois primeiros componentes. A menor disponibilidade hídrica (25%) reduziu significativamente a massa seca das folhas e das plantas. Os genótipos A:24 e A:GO apresentaram maior massa fresca do caule em níveis hídricos de 97.59 e 83.74%, respectivamente. A maior massa seca das folhas foi dos genótipos A:24, A:102, A:EL e A:GO, com 72 e 92% de disponibilidade hídrica. Os genótipos A:24, A:102 e A:GO apresentaram maior produção total de massa seca em disponibilidade hídrica de 80-90%. Conclui-se que os genótipos A:24 Pornunça (Manihot sp.) e A:GO Mandioca (Manihot esculenta Crantz) destacaram-se por sua tolerância ao déficit hídrico, apresentando bom crescimento e produção satisfatórios, mesmo sob restrição de água. Na prática, esses resultados indicam o potencial desses materiais para compor sistemas forrageiros mais resilientes, contribuindo para maior estabilidade na oferta de alimento animal em períodos de estiagem. Ademais, os genótipos avaliados integram o processo de seleção do programa de melhoramento de forrageiras nativas, reforçando a importância da identificação de materiais adaptados às condições de estresse hídrico como estratégia para fortalecer a sustentabilidade da produção pecuária em regiões vulneráveis às mudanças climáticas.
Dissertação ( Mestrado em Ciência e Tecnologia Ambiental) - Universidade de Pernambuco Campus de Petrolina, Petrolina. Orientada por Francislene Angelotti, Embrapa Semiárido.

Palabras clave

Pornunça, Sustentabilidade, Maniçoba, Forragem, Mudança Climática, Irrigação, Cassava, Climate change

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