Proposta de exigência de teste de compatibilidade com inoculantes para a obtenção de registro de fungicidas utilizados para o tratamento de sementes.
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A cultura da soja ocupa, atualmente, aproximadamente 45% da área cultivada no Brasil e, pelo processo de fixação biológica do nitrogênio (FBN), as estirpes de Bradyrhizobium japonicum e B. elkanii selecionadas pela pesquisa e utilizadas nos inoculantes comerciais conseguem suprir totalmente as necessidades de N da planta. Ensaios de quantificação da FBN no Brasil relatam taxas que podem exceder 300 kg de N ha-1, representando de 69 a 94% do N total das plantas. Mesmo em áreas com populações estabelecidas de Bradyrhizobium, a reinoculação da soja resulta em incrementos médios no rendimento dos grãos da ordem de 8%. estima-se que a FBN contribua com uma economia de cerca de U$ 3 bilhões por safra para o país, que deixam de ser gastos com fertilizantes nitrogenados, consequentemente, fatores que afetam a eficiência da FBN podem prejudicar a viabilidade econômica da cultura. No passado, poucos agricultores tratavam as sementes com fungicidas, além disso, o número de produtos utilizados era baixo. Contudo, já existia a preocupação de se avaliar os efeitos tóxicos desses produtos sobre a FBN. Com a expansão da cultura da soja, a falta de cuidados fitossanitários ocasionou um incremento na incidência de patógenos em todas as áreas cultivadas, consequentemente, houve também um aumento no número de princípios ativos recomendados e de agricultores que passaram a tratar as sementes com fungicidas. Além disso, para evitar problemas de emergência da soja, passou-se a recomendar a aplicação conjunta de fungicidas sistêmicos e de contato, além de micronutrientes e inseticidas, sem que fosse determinado o efeito desses produtos na viabilidade de rizóbios e na FBN. O efeito de fungicidas sistêmicos e de contato foi verificado em seis anos de experimentos conduzidos em condições de laboratório, casa de vegetação e a campo, pela Embrapa Soja, nas principais regiões produtoras de soja. Os resultados mostram que todos os fungicidas testados apresentaram uma redução que variou de 20 a 94% no número de células da semente, apenas duas horas após a inoculação. Em áreas de primeiro cultivo, ou áreas com baixa população de Bradyrhizobium, por exemplo, com pastagens, ou cana-de-açúcar por muitos anos, a nodulação e a FBN foram drasticamente reduzidas, com efeitos ainda maiores em solos arenosos. Em áreas com população estabelecida de Bradyrhizobium, os ganhos que resultariam de reinoculação foram diluídos. Constatou-se, ainda, que o mesmo fungicida variava quanto à toxidez de uma safra para outra, o que, provavelmente, ocorre por alterações na composição dos solventes e corantes. Como paliativo para o efeito tóxico, constatou-se a viabilidade de recomendação de uso de um número expressivamente superior de células nas sementes, bem como de inoculação no sulco, embora, neste último caso, a dose utilizada de inoculante deva ser seis vezes superior. Os resultados obtidos indicam a urgência de incluir na legislação, conforme ocorre em outros países, como o Canadá, a necessidade de demonstrar a compatibilidade com os inoculantes para o registro dos fungicidas.
Organizado por Juan Sanjuán, Mitermayer Galvão dos Reis, Fabiola Nascimento da Conceição.
Organizado por Juan Sanjuán, Mitermayer Galvão dos Reis, Fabiola Nascimento da Conceição.
Palabras clave
Fixação de Nitrogênio, Fungicida, Semente, Soja, Soybeans, Nitrogen fixation
