Fluxos de CH₄ e N₂O em diferentes usos da terra no oeste do Pará: efeitos microclimáticos e biogeoquímicos do solo.
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As mudanças no uso da terra na Amazônia alteram profundamente os controles biogeoquímicos que regulam os fluxos de metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) entre o solo e a atmosfera. Este estudo quantificou os fluxos desses gases em quatro tipos de cobertura do solo - floresta, capoeira, pastagem e agricultura (soja sob plantio direto e convencional) - em microbacias nos municípios de Santarém e Belterra, oeste do Pará. As medições foram realizadas com câmaras estáticas manuais distribuídas em transectos de 300 m, acompanhadas de variáveis ambientais como temperatura do ar e do solo, umidade gravimétrica e WFPS. Os resultados mostraram que áreas de capoeira apresentaram temperaturas mais baixas e maior estabilidade microclimática, refletindo menor emissão e maior propensão à oxidação de CH₄. Em contraste, áreas agrícolas e de pastagem exibiram maior variabilidade térmica e maiores fluxos de N₂O e CH₄, sobretudo durante a colheita da soja, período marcado pelo acúmulo de resíduos vegetais e intensificação da atividade microbiana. As maiores emissões de N₂O foram associadas a pulsos pós-distúrbio e fases fenológicas específicas da cultura. Esses achados demonstram que a conversão florestal modifica a função ecológica do solo, transformando ambientes originalmente sumidouros em potenciais fontes de gases traço. O estudo contribui para o entendimento dos mecanismos reguladores dos fluxos de CH₄ e N₂O em agroecossistemas amazônicos e fornece subsídios para estratégias de manejo capazes de mitigar emissões em sistemas agrícolas tropicais.
Palabras clave
Óxido nitroso, Uso da Terra, Soja, Solo, Metano
