Indicadores químico, físico e etnopedológico de qualidade do solo em áreas em recuperação na Amazônia Oriental.
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Avaliar a recuperação da capacidade produtiva do solo de áreas degradadas com base no plantio de árvores em pequenas propriedades rurais constitui o objetivo central da dissertação. A região de referência da pesquisa foi o nordeste paraense, onde estão localizados os municípios de Capitão Poço, Garrafão do Norte e Bragança. Em 2006, o projeto Inovagri, coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental, realizou uma série de atividades junto a dezenas de famílias rurais desses municípios, cujo objetivo prncipal foi a reabilitação das áreas degradadas ou em vias de degradação. Nesse contexto, uma das atividades implementadas foi a instalação de unidades de recuperação (UR), sob diferentes usos da terra (roça, pasto, cultivo perene e capoeira) em 32 propriedades rurais. Desse total, foram selecionadas 12 propriedades distribuídas entre os três municípios para a coleta das informações da presente pesquisa. Como procedimento metodológico, o estudo foi desenvolvido em duas etapas. A primeira consistiu na coleta de amostras de solo na UR e em área adjacentes sob o mesmo uso anterior da unidade de recuperação, a fim de servirem como áreas referências (AF). Foram coletadas amostras nas profundidades de 00-10; 10-20 em para análise de porosidade total e densidade do solo, e de 00-20 em para análise química e granulo métrica. Somam-se a esses dados, resultados de análise de fertilidade da UR realizada em 2008. Na segunda etapa da pesquisa, foram levantadas informações etnopedológicas, obtidas através de entrevistas a 12 famílias de agricultores somando 17 informantes. A comparação entre as UR e AF demonstrou que áreas mais intemperizadas tendem a apresentar maior acidificação e imobilização de nutrientes. Similaridades foram encontradas na análise temporal dos atributos químicos do solo das URs, nas quais áreas de capoeira e sob cultivos perenes foram as que apresentaram melhoras em sua fertilidade. A composição textural dos solos influenciou diretamente na fertilidade dos mesmos, sugerindo que para programas que visem à recuperação da capacidade produtiva este fator deverá ser considerado para composição de espécies. Por meio de indicadores visuais (cor do solo, matéria orgânica e aparência das plantas) e operacionais (compactação, profundidade e população de minhoca), os agricultores categorizam o solo de acordo com sua fertilidade e assim utilizam esses indicadores para escolha das áreas destinadas aos futuros cultivos. A percepção sobre a melhora da qualidade do solo da UR é bem presente entre os agricultores e tem contribuído para ampliação de áreas de plantios de espécies arbóreas em outros espaços da propriedade. Embora os solos da UR ainda não tenham expressado melhorias significativas nas propriedades químicas, o plantio de árvores para fins de recuperação tem demonstrado uma estratégia viável, ainda que para solos muito intemperizados a recuperação da capacidade produtiva ocorra de forma mais lenta e necessite de um aporte nutricional no início de sua implantação.
Dissertação (Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) - Universidade Federal do Pará, Embrapa Amazônia Oriental, Belém, PA. Co-orientador: Silvio Brienza Junior, Embrapa Amazônia Oriental.
Dissertação (Mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável) - Universidade Federal do Pará, Embrapa Amazônia Oriental, Belém, PA. Co-orientador: Silvio Brienza Junior, Embrapa Amazônia Oriental.
Palabras clave
Degração, Agricultura Familiar, Manejo, Qualidade, Solo, Amazonia
