Benefícios mútuos entre agricultura, biodiversidade e serviços ecossistêmicos.
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A agricultura, compreendendo a pecuária e a silvicultura, é uma atividade resultante da interação ser humano-natureza para produzir alimentos, madeira, biocombustíveis, fibras, fármacos, dentre outros, imprescindíveis para o bem-estar e qualidade de vida humana. Na contemporaneidade, o modelo de agricultura predominante, baseado na monocultura com uso intensivo do solo e da água, de agrotóxicos, fertilizantes e demais insumos agrícolas derivados do petróleo é a principal ameaça à biodiversidade, à provisão de serviços ecossistêmicos e à sociobiodiversidade, gerando supressão da vegetação natural de grandes áreas, compactação e erosão dos solos, contaminação dos recursos hídricos e dos alimentos, desterritorialização de povos e comunidades tradicionais (PCTs), dentre outros danos (Díaz et al., 2018). Em contraposição, existem modelos de práticas agrícolas ambientalmente amigáveis que permitem conciliar agricultura e conservação da natureza, aliando a produtividade dos sistemas agrícolas com o uso racional dos recursos naturais. Neste capítulo apresentamse os mútuos benefícios e sinergias de modelos de agricultura na perspectiva da sustentabilidade das atividades agrícolas, do bem-estar dos seres humanos e da manutenção da vida no planeta. Para ilustrá-los, são apresentados tipos de serviços ecossistêmicos providos pela biodiversidade para a agricultura em números e suas multidimensionalidades, destacando a importância das relações dos PCTs e agricultores familiares com a natureza, que fundamentam os sistemas de conhecimentos ecológicos locais (CEL), na origem, manutenção e conservação da agrobiodiversidade e dos serviços ecossistêmicos (SE) relacionados. Ao longo do capítulo, empregamos as terminologias “Serviços Ecossistêmicos” (SE) e “Contribuição da Natureza para as Pessoas” (CNP) como sinônimas. Optamos por manter ambas as nomenclaturas, visto que o termo “Serviços Ecossistêmicos” é amplamente conhecido e adotado em documentos oficiais, enquanto o uso de “Contribuição da Natureza para as Pessoas”, embora mais recente (Díaz et al., 2015), é considerado como mais inclusivo e apropriado para categorizar os benefícios providos pela biodiversidade e processos associados à agricultura.
Palabras clave
Povo tradicional, Ecologia, Natureza, Polinização, Uso da Terra
